A Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC) dos EUA avançou com uma proposta de regulamento que exige que os emitentes de stablecoins sob supervisão federal cumpram normas rigorosas de prevenção do branqueamento de capitais e de sanções ao abrigo da Lei GENIUS, assinalando um passo significativo rumo a um quadro federal abrangente para stablecoins anunciado a 25 de maio de 2026. A proposta aplica-se aos Emitentes de Stablecoins de Pagamento Permitidos (PPSIs, na sigla em inglês) que operam sob supervisão federal e impõe a implementação de robustos programas de AML/financiamento do contrate financeiro alinhados com o Bank Secrecy Act. Segundo responsáveis, o quadro foi concebido para reforçar as proteções contra atividades ilícitas enquanto apoia o crescimento a longo prazo de stablecoins regulamentadas apoiadas por dólares, sinalizando que Washington trata as stablecoins menos como ativos cripto experimentais e mais como infraestruturas financeiras nucleares.
A Lei GENIUS criou um percurso federal para instituições aprovadas emitirem stablecoins de pagamento sob regras claras de supervisão, estabelecendo padrões de reservas, requisitos de resgate e limites operacionais para os emitentes, ao mesmo tempo que abre a porta à participação de subsidiárias bancárias nos mercados de stablecoins de forma legal.
No quadro proposto pela FDIC, os emitentes de stablecoins supervisionados federalmente seriam tratados de forma semelhante às instituições financeiras tradicionais ao abrigo do Bank Secrecy Act. Requisitos específicos incluem:
A proposta coordena a supervisão com o Departamento do Tesouro e a FinCEN para garantir que os emitentes de stablecoins operam sob normas federais unificadas. A regra aplica-se especificamente a entidades de stablecoin ligadas a instituições depositárias seguradas supervisionadas pela FDIC, uma distinção que poderá reconfigurar a forma como os bancos abordam os dólares tokenizados.
A Lei GENIUS cria clareza regulatória que a indústria tem exigido há anos. Para os emitentes de stablecoins, as novas regras aumentam os custos operacionais e de conformidade, ao mesmo tempo que oferecem um enquadramento federal legítimo que poderá atrair uma participação institucional em grande escala.
As stablecoins estão cada vez mais a ser usadas para pagamentos transfronteiriços, liquidação de tesourarias, mercados de ativos tokenizados, gestão de liquidez corporativa e sistemas de colateral on-chain. A proposta fortalece a posição de emitentes regulados pelos EUA face a concorrentes offshore, que enfrentam menos supervisão mas também maiores riscos legais e de contraparte.
O avanço da FDIC reflete a concorrência global mais ampla em torno da infraestrutura do dólar digital. A Europa já aplicou regulamentações MiCA, enquanto centros financeiros asiáticos continuam a construir enquadramentos de tokenização. Os Estados Unidos estão a acelerar a sua arquitetura regulatória através da Lei GENIUS e de legislação paralela como a CLARITY Act, com o objetivo de definir como os ativos digitais se integram no sistema financeiro tradicional.
O equilíbrio entre inovação e regulação continua a ser tema de debate. Alguns defensores das criptomoedas receiam que exigências de conformidade agressivas possam limitar a experimentação e criar barreiras para emitentes mais pequenos, enquanto outros defendem que o capital institucional só entrará no setor quando existirem salvaguardas claras. A FDIC realizará um período de consulta pública antes de a regra se tornar definitiva.
A Lei GENIUS está a transformar as stablecoins de um produto cripto com regulação pouco definida para uma categoria financeira supervisionada a nível federal. O quadro proposto pela FDIC para conformidade com AML e sanções coloca a supervisão regulatória no centro das operações das stablecoins. Se for finalizado, espera-se que as regras reconfigurem quem pode competir de forma realista no mercado, com os reguladores a sinalizarem que as stablecoins já não operam numa zona cinzenta regulatória.
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