Em uma aparição no Kitco News, David Woo, ex-estrategista global de macro do Bank of America, disse na segunda-feira que a alta do ouro para perto de US$ 4.339 por onça — subindo 2,8% no dia — reflete uma leitura mais profunda e equivocada do risco geopolítico pelo mercado. Enquanto Wall Street comemorava um acordo provisório EUA-Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, Woo chamou a negociação de uma derrota estratégica histórica e alertou que a ameaça real à dominância do dólar não são as tensões no Oriente Médio, mas o boom de inteligência artificial.
Woo argumentou que a força do dólar é “emprestada” da demanda global por tecnologia de IA dos EUA, dos chips da Nvidia até modelos da OpenAI e da Anthropic. “Se essa bolha de IA estourar, o dólar está no forno”, disse ele. Ele vê a bolha sendo comprimida por cima por restrições de segurança nacional dos EUA sobre modelos avançados e por baixo por concorrentes chineses mais baratos, levantando dúvidas sobre as valorizações de empresas de IA. As compras de ouro por bancos centrais somaram 244 toneladas no primeiro trimestre de 2026 e superaram 863 toneladas em 2025, sinalizando uma mudança em direção ao afastamento das reservas em dólar. Caso o comércio de IA desabe, Woo projetou que o ouro poderia chegar a US$ 10.000 por onça.