O Banco Central do Reino Unido planeja relaxar a regulamentação de stablecoins! O vice-presidente admite: as propostas iniciais eram demasiado conservadoras

O Banco da Inglaterra admite que a regulamentação de stablecoins é excessivamente conservadora e está reavaliando a estrutura. As restrições originalmente propostas geraram resistência, levando a uma mudança de política para uma abordagem mais pragmática, mantendo a vantagem de Londres como centro financeiro de tecnologia.

Mudança de postura do Banco da Inglaterra, início de flexibilização na regulamentação de stablecoins

A postura do Banco da Inglaterra em relação à regulamentação de stablecoins passou por uma mudança clara. A vice-presidente do Banco da Inglaterra, Sarah Breeden, recentemente afirmou em entrevista ao Financial Times que o plano inicial de regulamentação de stablecoins “pode ter sido excessivamente conservador” e que o banco está reavaliando a estrutura existente, buscando estabelecer um sistema que equilibre estabilidade financeira e desenvolvimento do setor.

Essa declaração foi vista pelo mercado como um sinal importante de que o governo britânico e as autoridades reguladoras estão adotando uma postura mais pragmática em relação aos ativos digitais. No último ano, o Reino Unido planejava impor restrições altamente conservadoras às “stablecoins sistemicamente relevantes”, incluindo exigir que os emissores mantenham 40% de reserva em dinheiro sem juros no Banco da Inglaterra, além de limitar a quantidade de stablecoins que indivíduos e empresas podem possuir. De acordo com os rascunhos iniciais, o limite de posse para o público geral seria de cerca de 20 mil libras esterlinas, enquanto para empresas seria de até 10 milhões de libras.

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No entanto, essas medidas rapidamente geraram forte resistência do setor. Diversas fintechs e empresas de criptomoedas criticaram que as altas proporções de reserva e as restrições de posse prejudicariam a competitividade do Reino Unido como centro de ativos digitais, além de possivelmente forçar empresas a migrarem para mercados com regulamentação mais flexível, como Cingapura, Hong Kong, Abu Dhabi ou Estados Unidos.

Pressão do setor aumenta, Reino Unido teme perder competitividade em fintech

Breeden afirmou que o Banco da Inglaterra está atualmente estudando alternativas para evitar que a estrutura regulatória imponha restrições excessivas ao mercado. Ela destacou que o objetivo é criar um sistema de stablecoin que funcione de fato, garantindo a segurança dos usuários e do sistema financeiro.

A mudança na postura regulatória do Reino Unido está relacionada ao rápido crescimento da concorrência global em stablecoins. Os Estados Unidos estão acelerando a aprovação do projeto de lei CLARITY e do projeto GENIUS, buscando estabelecer regras completas para o mercado de stablecoins e ativos digitais; Hong Kong já finalizou a legislação de stablecoins e prepara a emissão das primeiras licenças; Abu Dhabi, Cingapura e Japão continuam atraindo grandes instituições financeiras.

Nos últimos anos, o governo britânico tem buscado reposicionar Londres como um centro financeiro digital global, com o Ministério das Finanças e a FCA adotando uma postura mais aberta em relação às criptomoedas. A Autoridade de Conduta Financeira (FCA) do Reino Unido iniciou este ano um sandbox regulatório para stablecoins, com várias empresas de stablecoins em libras já em fase de testes. O Banco da Inglaterra é responsável por regulamentar as “stablecoins sistemicamente relevantes” que possam afetar a estabilidade financeira.

A percepção geral do mercado é que, se o Reino Unido mantiver restrições excessivamente rígidas, grandes empresas de pagamento e emissores de stablecoins provavelmente priorizarão mercados nos EUA ou na Ásia, enfraquecendo ainda mais a influência de Londres na competição global de fintech.

Banco da Inglaterra ainda preocupa com perda de depósitos bancários e riscos financeiros

Embora a direção regulatória esteja começando a se flexibilizar, as preocupações centrais do Banco da Inglaterra em relação às stablecoins permanecem. Breeden alertou várias vezes que, se as stablecoins se tornarem amplamente utilizadas nos pagamentos, isso pode levar a uma grande migração de depósitos bancários para stablecoins, comprimindo a capacidade de empréstimo dos bancos e até causando problemas de liquidez no sistema financeiro.

O sistema financeiro do Reino Unido é altamente dependente de empréstimos bancários, diferentemente do modelo financeiro dominado pelos mercados de capitais nos EUA. O Banco da Inglaterra acredita que, se as stablecoins se tornarem instrumentos de pagamento cotidiano, os depósitos bancários podem sofrer uma migração em massa, por isso deseja limitar o risco de corrida bancária por meio de reservas e restrições de posse.

O governador do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, também afirmou publicamente que, sem regras internacionais coordenadas, as stablecoins podem representar uma ameaça à estabilidade financeira. Ele acredita que a rápida expansão de stablecoins lastreadas em dólar pode alterar a estrutura de pagamentos transfronteiriços e fluxos de capital globais, tornando a regulamentação uma questão que não pode ser liderada por um único país.

O Banco da Inglaterra ainda não divulgou a versão final das regras, mas o mercado espera que, no final deste ano, o país abra oficialmente o processo de licenciamento para stablecoins sistemicamente relevantes, com ajustes nas restrições de posse e nas proporções de reserva.

Regulamentação global de stablecoins evolui rumo à competição

A mudança de política do Reino Unido reflete uma tendência global de que a regulamentação de stablecoins está passando de uma abordagem de risco e precaução para uma que busca equilibrar competição de mercado e inovação financeira. Autoridades de diversos países, ao mesmo tempo em que se preocupam com o impacto das stablecoins nos bancos e na política monetária, também temem perder oportunidades de desenvolvimento no setor digital.

Após os Estados Unidos acelerarem a legislação de stablecoins, centros financeiros na Europa e na Ásia começaram a ajustar suas estratégias. Hong Kong, Cingapura, Abu Dhabi, Japão e o próprio Reino Unido têm sinalizado recentemente uma abertura para atrair mais empresas de pagamento, plataformas de negociação e instituições financeiras para estabelecer infraestrutura de stablecoins nesses mercados.

A declaração mais recente de Breeden também indica que o Banco da Inglaterra está mudando sua postura em relação às stablecoins. O mercado agora ficará atento para ver se o país reduzirá as reservas obrigatórias, eliminará limites de posse ou permitirá uma maior flexibilidade no design de reservas de stablecoins. Essas mudanças terão impacto direto na capacidade do Reino Unido de manter sua posição como centro financeiro global de ativos digitais.

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