Acabei de testemunhar uma mudança importante no mundo dos investimentos. Warren Buffett anunciou oficialmente a sua saída como CEO da Berkshire Hathaway esta semana, após seis décadas a liderar o conglomerado de 1 trilhão de dólares. Aos 94 anos, está a passar as operações diárias para Greg Abel, mantendo-se como presidente. É realmente o fim de uma era.



O que chamou a minha atenção, no entanto, não foi apenas a mudança de sucessão — é o que isto simboliza sobre a visão de mundo de Buffett, especialmente em relação às criptomoedas. O homem tem sido consistentemente vocal sobre ativos digitais há mais de uma década, e as suas críticas só se intensificaram com o tempo.

Lembra-se do seu comentário "veneno de rato ao quadrado"? Isso foi em 2018, durante a reunião anual da Berkshire. O Bitcoin estava a ser negociado por volta de 9.000 dólares na altura, tendo acabado de desabar de quase 20.000 dólares. Mas Buffett não parou por aí. Até 2022, a sua posição sobre criptomoedas tornou-se ainda mais contundente. Ele literalmente disse aos acionistas que não pagaria 25 dólares por todo o Bitcoin existente. Pense nisso por um segundo. O seu argumento era simples: o Bitcoin não produz nada. Não gera fluxo de caixa como terras agrícolas ou edifícios de apartamentos. É puramente especulativo.

Achei a sua explicação particularmente reveladora. Ele segurou uma nota de 20 dólares e disse: "Ativos, para terem valor, têm que entregar algo a alguém." Isso é fundamental na forma como Warren Buffett pensa sobre dinheiro e valor. Na sua opinião, as criptomoedas falham completamente nesse teste.

O seu parceiro falecido Charlie Munger foi ainda mais severo. Chamou o Bitcoin de "disgusting e contrário aos interesses da civilização." Mais tarde, descreveu-o como uma "porcaria." Nada subtil, de facto. Mas aqui está o que é interessante — a Berkshire nunca vacilou. Enquanto outros entraram no mundo das criptomoedas, Buffett e Munger mantiveram-se à distância. Munger até disse que estava "orgulhoso" de a empresa ter evitado isso.

A ironia não me passa despercebida. Buffett transformou a Berkshire de uma fábrica têxtil em dificuldades, que comprou em 1962 por 7,60 dólares por ação, numa potência. As ações Classe A agora negociam acima de 750.000 dólares. A sua fortuna pessoal ronda os 150 mil milhões de dólares, quase toda construída com ações da Berkshire. Já doou mais de 60 mil milhões de dólares para a caridade. É um percurso baseado em valor tangível e pensamento a longo prazo.

Quer concorde ou não com o ceticismo de Warren Buffett em relação às criptomoedas, não se pode ignorar que a sua filosofia de investimento fundamental tem dado resultados há décadas. A sua aposentação marca o fim de uma era específica no investimento — uma definida por valor, paciência e ceticismo dirigido a ativos especulativos. Essa abordagem claramente funcionou para ele.
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