Em 16 de junho de 2026, das 14:15 às 14:30 (UTC), o BTC caiu 0,72% em 15 minutos, com faixa de preço entre 65.519,5-66.077,2 USDT e amplitude de 0,84%. O período ocorre na transição entre os pregões de Nova York e da Ásia, quando a liquidez é relativamente mais baixa, e o preço fica mais sensível a mudanças de curto prazo entre oferta e demanda, ampliando a volatilidade acima do usual.
O principal motor dessa oscilação foi o fato de o dado de CPI dos EUA de maio ter vindo acima do esperado. No dia, o CPI anual subiu para 4,2%, registrando a maior alta desde 2023, enquanto o CPI “core” anual ficou em 2,9%. A surpresa positiva do CPI foi impulsionada principalmente pelo aumento dos preços da energia devido ao conflito no Oriente Médio, caracterizando um choque de oferta. Após a divulgação, o mercado passou a reduzir ainda mais as expectativas de cortes de juros do Federal Reserve ainda neste ano, ao mesmo tempo em que aumentou a expectativa de alta de juros. Além disso, o índice do dólar (DXY) apresentou forte correlação negativa com o BTC: o coeficiente de correlação em 30 dias chegou a -0,90, e a força do dólar gerou pressão direta de queda sobre o BTC.
Em segundo lugar, a saída contínua de capital institucional constituiu uma pressão vendedora relevante. Os ETFs spot de Bitcoin dos EUA registraram saídas líquidas por 13 pregões consecutivos, acumulando uma saída de US$ 4,4 bilhões, o equivalente a 5,9% do AUM total, configurando o maior recorde de saída semanal da história. A demanda on-chain também segue fraca: dados do CryptoQuant mostram que, na semana passada, as carteiras de BTC encolheram em 652 mil unidades, a maior queda desde janeiro de 2022. Nos últimos 30 dias, os investidores registraram cerca de 187 mil unidades em prejuízo. A escassez de compras on-chain, somada à saída de capital institucional, fez com que o mercado à vista perdesse sustentação.
Além disso, com liquidez mais baixa no curto intervalo de tempo, uma pressão vendedora relativamente pequena pode desencadear a queda do preço; no mercado de contratos, a alavancagem também tende a ampliar o efeito da volatilidade.
Agora, é importante acompanhar a trajetória do dólar, o fluxo de recursos dos ETFs e mudanças na conjuntura geopolítica. Se o CPI continuar elevado ou se as saídas dos ETFs persistirem, o BTC pode sofrer pressão adicional, e a região de suporte a ser observada fica perto de US$ 60 mil.