Fundos de ouro lastreados em ouro sofreram saídas de 74,3 toneladas, avaliadas em quase US$ 9 bilhões, em junho, impulsionadas por expectativas hawkish do Federal Reserve que aumentaram os custos de oportunidade de manter ouro, de acordo com o relatório mensal de ETFs do Conselho Mundial de Ouro. A liquidação ocorreu enquanto o novo presidente do Fed, Warsh, enviava sinais interpretados pelo mercado como hawkish, e o conflito entre EUA e Irã intensificava os temores de inflação, contribuindo para o aumento dos rendimentos reais e a valorização do dólar. Apesar das saídas em junho, os ETFs de ouro globais encerraram o primeiro semestre com entradas líquidas de 17,6 toneladas, avaliadas em US$ 8 bilhões, embora os preços do ouro tenham caído abaixo da média móvel de 200 dias e brevemente ficado abaixo de US$ 4.000 por onça.
Os ETFs de ouro listados na América do Norte continuaram sendo o maior peso no mercado global, com fundos regionais registrando saídas de 42,4 toneladas no mês, avaliadas em US$ 5,5 bilhões. "À medida que o novo presidente do Fed, Warsh, enviava sinais hawkish — como o mercado interpretou — e o conflito EUA-Irã elevava os temores de inflação, as expectativas de altas de juros futuras se intensificaram. Essa antecipação contribuiu para o aumento dos rendimentos reais e a valorização do dólar, elevando os custos de oportunidade de manter ouro para os investidores", disseram analistas do Conselho Mundial de Ouro no relatório.
Fundos europeus tiveram quedas de 12,1 toneladas, avaliadas em US$ 817 milhões. O Banco Central Europeu elevou as taxas em 25 pontos-base, pela primeira vez desde setembro de 2023, citando preocupações com a inflação em meio ao conflito contínuo entre EUA e Irã. "Essa medida pode ter desencorajado alguns investidores de manter ouro. Também observamos saídas contínuas de produtos com hedge cambial listados na região, principalmente na Suíça, devido à depreciação da moeda local frente ao dólar, o que agravou as perdas dos fundos europeus em junho", disseram os analistas.
ETFs listados na Ásia tiveram saídas de 71,5 toneladas, avaliadas em US$ 2,2 bilhões. A perda em junho foi principalmente de fundos chineses, à medida que o apetite ao risco dos investidores locais continuou a melhorar com ganhos no mercado de ações e uma cotação de ouro mais fraca. Fundos japoneses também tiveram saídas no mês, após o Banco do Japão elevar as taxas, aumentando o custo de oportunidade de manter ouro para os investidores locais. A Índia contrariou a tendência, atraindo entradas no mês, pois os investidores locais permaneceram otimistas quanto ao preço do ouro e viram a queda como uma oportunidade de compra. Apesar da volatilidade mensal, analistas observaram que os fundos asiáticos tiveram seu melhor primeiro semestre de todos os tempos.
O ouro apresentou forte movimento de baixa, com preços abaixo da média móvel de 200 dias e brevemente abaixo de US$ 4.000 por onça, enquanto investidores fugiam do mercado de ETFs. Analistas de commodities esperam que o mercado do ouro se estabilize, à medida que a correção de meses em direção ao suporte em US$ 4.000 cria valor atrativo.
Analistas do Conselho Mundial de Ouro esperam que as entradas de recursos se intensifiquem na segunda metade do ano. "O cenário macroeconômico em nossa Perspectiva de Ouro de Meio de Ano de 2026 sugere desempenho relativamente estável do ouro no segundo semestre, com possíveis catalisadores que podem impulsionar uma ruptura em outros cenários. Enquanto isso, incertezas sobre geopolitica, crescimento econômico e mercados financeiros permanecem. Esse cenário pode continuar apoiando a demanda de investidores por proteção de portfólio e manter o interesse em ETFs de ouro como uma alocação de refúgio seguro", disseram os analistas.
Quanto de dinheiro saiu dos ETFs de ouro em junho?
Foram saídas de 74,3 toneladas de ouro, avaliadas em quase US$ 9 bilhões, do mercado global de ETFs em junho, segundo o relatório mensal do Conselho Mundial de Ouro. Os ETFs de ouro listados na América do Norte tiveram as maiores saídas, de 42,4 toneladas, avaliadas em US$ 5,5 bilhões.
Por que os investidores venderam ETFs de ouro em junho?
Investidores venderam ETFs de ouro enquanto o novo presidente do Fed, Warsh, enviava sinais hawkish, e o conflito EUA-Irã aumentava os temores de inflação, levando à expectativa de altas de juros. Essa antecipação contribuiu para o aumento dos rendimentos reais e a valorização do dólar, elevando os custos de oportunidade de manter ouro.
O que o Banco Central Europeu fez em relação às taxas de juros?
O Banco Central Europeu elevou as taxas em 25 pontos-base em junho, pela primeira vez desde setembro de 2023, citando preocupações com a inflação em meio ao conflito contínuo entre EUA e Irã. Essa medida pode ter desencorajado alguns investidores de manter ouro, segundo analistas do Conselho Mundial de Ouro.
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