Os Emirados Árabes Unidos anunciaram em 28 de abril de 2024 que vão deixar a OPEC+ a partir de 1º de maio de 2024, depois de quase 60 anos como membro, segundo declarações de delegados da OPEC+ e analistas. A saída marca o desligamento do quarto maior produtor da OPEC e reduzirá o controle da aliança sobre a produção global de petróleo de aproximadamente 50% para cerca de 45%, de acordo com a Agência Internacional de Energia.
Antes das recentes interrupções causadas pela guerra EUA-Israel contra o Irã, os EAU bombeavam cerca de 3,4 milhões de barris por dia (bpd), ou cerca de 3% do suprimento bruto mundial. A capacidade total de produção dos EAU é de 5 milhões de bpd de petróleo bruto e líquidos. Uma vez fora da OPEC, os EAU se juntarão a produtores independentes como Estados Unidos e Brasil. No entanto, com efeito, o fechamento efetivo do transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz atualmente limita a capacidade dos EAU de aumentar as exportações. Se o transporte marítimo se recuperar aos níveis anteriores à guerra, os EAU poderiam aumentar a produção em direção à sua capacidade total.
A tensão entre os EAU e a Arábia Saudita sobre cotas de produção contribuiu para a decisão de saída. A cota de produção dos EAU foi definida em 3,5 milhões de bpd, mas Abu Dhabi buscou uma cota maior para refletir sua capacidade expandida desenvolvida como parte de um programa de investimento de $150 bilhão. “Por anos, Abu Dhabi tem procurado monetizar seu investimento na expansão da capacidade”, disse Helima Croft, da RBC Capital Markets. No entanto, Croft observou que a guerra EUA-Israel contra o Irã desaceleraria esses planos depois que drones e foguetes danificaram as instalações de produção dos EAU.
Rumores da saída dos EAU circularam por anos em meio ao agravamento das relações com Riade devido a conflitos no Sudão, Somália e Iêmen. Os EAU também se aproximaram cada vez mais dos Estados Unidos e de Israel, segundo o artigo.
O Iraque, o terceiro maior produtor da OPEC+ depois de Arábia Saudita e Rússia, não tem plano de deixar o grupo, segundo dois oficiais do petróleo iraquiano citados em 28 de abril. O Iraque quer preços de petróleo estáveis e aceitáveis, disseram os oficiais.
Os EAU são o quarto produtor a deixar a OPEC+ nos últimos anos. Angola deixou em 2024 citando discordâncias sobre níveis de produção, o Equador saiu em 2020, e o Qatar deixou em 2019.
A saída vai complicar os esforços da OPEC+ para equilibrar o mercado por meio de ajustes de oferta porque o grupo controlará menos da produção global, segundo quatro das cinco fontes da OPEC+ não identificadas citadas na matéria. No entanto, analistas esperam que a aliança permaneça intacta. “A OPEC+ não vai colapsar, já que a Arábia Saudita ainda vai querer gerir o mercado com a ajuda do grupo”, disse Gary Ross, CEO da Black Gold Investors. “No fim das contas, a Arábia Saudita era essencialmente a OPEC – o único país com capacidade ociosa.” A Arábia Saudita pode produzir 12,5 milhões de bpd, mas manteve a produção abaixo de 10 milhões de bpd nos últimos anos.
Os membros da OPEC+ provavelmente vão se concentrar em reconstruir instalações danificadas pela guerra em vez de embarcar em cortes de produção no futuro próximo, de acordo com Croft, o que significa que uma quebra mais ampla da OPEC+ é improvável no curto prazo.
A influência da OPEC sobre o mercado global de petróleo vem diminuindo há décadas. Formada em 1960, a OPEC já controlou mais de 50% da produção global. À medida que a produção de rivais cresceu, a participação do grupo caiu para cerca de 30% do total mundial de produção de petróleo e líquidos de petróleo de 105 milhões de barris por dia no último ano coberto pela matéria.
Os Estados Unidos, que historicamente dependiam de importações da OPEC, se tornaram o maior rival do grupo nos últimos 15 anos. A produção dos EUA aumentou para até 20% do total mundial com base no boom do seu petróleo de xisto. Em resposta, a OPEC formou a OPEC+ em 2016 ao se juntar a vários produtores não pertencentes à OPEC, liderados pela Rússia, para coordenar a política de oferta.
A guerra expôs a falta de concordância entre as nações do Golfo e resultou no que a Agência Internacional de Energia chamou de a maior interrupção global do fornecimento de energia de todos os tempos em termos de produção diária de petróleo declaradamente. “A retirada dos EAU marca uma mudança significativa para a OPEC … a implicação de longo prazo é uma OPEC estruturalmente mais fraca”, disse Jorge Leon, ex-oficial da OPEC agora na Rystad Energy.
Related News
Emirados Árabes Unidos 5/1 deixam a OPEP e a OPEP+: fim do status de membro de 59 anos, mudanças no mercado de petróleo
Emirados Árabes Unidos saem da OPEP: petróleo Brent rompe 110 dólares, novo fator no cenário global de energia
Conferência Climática da Colômbia Busca Desaceleração Global da Fase de Combustíveis Fósseis
Goldman Sachs eleva a projeção para o preço do petróleo no 4º trimestre, para cima de US$ 90! Alerta: a capacidade de produção de petróleo pode ficar permanentemente devastada
O Bitcoin cai abaixo de US$ 78.000, negociações entre EUA e Irã voltam a empacar e impulsionam os preços do petróleo