Vários indicadores de valuation do mercado de ações dos EUA atingiram níveis vistos pela última vez antes de grandes correções. A dívida líquida de margem — dinheiro tomado emprestado por investidores para comprar ações — chegou a mais de 1,25% do valor total de mercado até o fim de abril, perto do nível mais alto do registro que remonta a 1997. O estrategista-chefe de equity nos EUA do Goldman Sachs, Ben Snider, afirmou na quarta-feira que “o aumento da atividade de trading varejista alavancado aponta na direção de sinais que merecem alguma cautela”, enquanto, ao mesmo tempo, elevou a meta do banco para o S&P 500 no fim do ano para 8.000, de 7.600, sugerindo um ganho de 16,9% em 2026. Esses acontecimentos ocorrem enquanto investidores questionam a sustentabilidade da alta do mercado impulsionada por IA, embora dados históricos mostrem que essas métricas de valuation se provaram pouco confiáveis como ferramentas de timing de mercado.
A dívida de margem atinge pico em várias décadas
A dívida líquida de margem — dinheiro emprestado por investidores para comprar ações — superou 1,25% da capitalização total do mercado dos EUA até o fim de abril. Esse patamar representa a maior proporção nos registros disponíveis, que se estendem a partir de 1997. O indicador serve como uma evidência de especulação alavancada nos mercados de ações.
Múltiplos indicadores de valuation disparam sinais de alerta
Várias medidas de valuation de longo prazo atingiram níveis historicamente elevados:
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O índice de Preço sobre Lucro Ajustado Ciclicamente (CAPE) de Robert Shiller está em patamares não observados desde pouco antes do crash do mercado de ações da era dot-com. Shiller, professor da Yale e ganhador do Nobel, desenvolveu essa métrica para suavizar a volatilidade dos lucros ao longo dos ciclos econômicos.
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A valuation do mercado de ações como percentual do PIB dos EUA — frequentemente chamada de Indicador de Buffett, porque Warren Buffett frequentemente a citava — atingiu seu maior nível já registrado.
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Os retornos das ações parecem menores em comparação com os rendimentos dos títulos públicos (bond yields), uma condição que historicamente antecedeu períodos de desempenho ruim das ações.
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A atividade de trading especulativo acelerou, com o aumento do trading de opções altistas medido por taxas de put-call e volumes de ETFs alavancados ganhando força.
Goldman Sachs equilibra cautela com otimismo
Ben Snider, estrategista-chefe de equity nos EUA do Goldman Sachs, abordou na quarta-feira as preocupações dos investidores sobre possíveis bolhas no mercado. “Se estamos em uma bolha é uma pergunta muito comum entre os investidores e há várias maneiras de lidar com isso”, disse Snider. Ele reconheceu que o aumento da atividade de trading varejista alavancado “aponta na direção de sinais que merecem alguma cautela”.
Apesar desses sinais de cautela, Snider elevou a meta do Goldman para o S&P 500 no fim do ano para 8.000 na quarta-feira, acima da previsão anterior de 7.600. A meta revisada implica um ganho de 16,9% para 2026. Snider citou a força dos lucros corporativos como justificativa para manter o otimismo.
Histórico de desempenho dos indicadores de valuation como ferramentas de timing
Os indicadores de valuation demonstraram baixa confiabilidade como mecanismos de timing de mercado. A razão CAPE de Shiller sinalizou sobrevaluation do mercado por quase todo o período da última década. Investidores que venderam ações quando a razão CAPE excedeu sua faixa anterior no fim de 2016 teriam deixado de obter ganhos superiores a 200% no índice S&P 500 nos anos seguintes.
O artigo observa que, embora as ações possam estar “um pouco supervalorizadas e possam estar prontas para uma correção”, cronometrar o mercado continua sendo “incrivelmente difícil” apenas com base nessas métricas.