A senadora Elizabeth Warren disse na quinta-feira que a reformulação do Consumer Financial Protection Bureau (CFPB) feita pelo governo Trump custou aos americanos até US$ 26,5 bilhões. A democrata de Massachusetts divulgou um relatório atribuindo grande parte dos custos às medidas do diretor interino do CFPB, Russell Vought, para reverter regras que limitavam taxas de cartão de crédito e de cheque especial (overdraft). O relatório é divulgado enquanto Vought enfrenta, nesta quinta-feira, uma audiência de supervisão no Senado sobre as ações da agência, incluindo casos de fiscalização (enforcement) rejeitados e a alegada remoção de dados dos consumidores do site do CFPB.
Relatório de Warren atribui custo de US$ 26,5 bilhões a recuos no limite de taxas
Em um relatório compartilhado primeiro com a CNBC, Warren atribuiu até US$ 15 bilhões em custos para os consumidores à decisão do CFPB de abandonar uma regra que limitava grande parte das multas por atraso no cartão de crédito em US$ 8. A agência havia estimado anteriormente que a regulamentação economizaria aos consumidores cerca de US$ 10 bilhões por ano. O relatório atribui mais US$ 7,5 bilhões à revogação, pelo CFPB, da regra para taxa de cheque especial, que teria limitado muitos bancos a cobrar US$ 5 por overdrafts. O restante da estimativa vem da decisão do CFPB de derrubar mais de três dezenas de ações de fiscalização e acordos, totalizando cerca de US$ 4 bilhões. Algumas dessas ações foram planejadas para enviar pagamentos diretamente aos consumidores.
Governo Trump reduz quadro e fiscalização no CFPB
Desde que assumiu o cargo no ano passado, o governo Trump cortou contratações no CFPB, dispensou ou restringiu dezenas de casos de fiscalização e reverteu regras da era Biden. Autoridades descrevem as mudanças como uma forma de recolocar a agência no foco de sua missão central. Republicanos defenderam as medidas como necessárias para conter, segundo eles, um regulador que teria avançado demais. Democratas liderados por Warren — que idealizou e ajudou a criar a agência após a crise financeira de 2008 — argumentam que o governo Trump enfraqueceu um importante watchdog financeiro do consumidor e expôs os americanos a práticas injustas ou enganosas do setor.
Senado avalia nomeação de Brian Johnson para diretor permanente
O Senado está ponderando a indicação de Brian Johnson, ex-diretor adjunto do CFPB que virou executivo da Capital One, para liderar a agência permanentemente. Antes da audiência de quinta-feira, Warren enviou a Vought uma carta listando o que ela descreveu como pedidos de supervisão do Congresso que não teriam sido respondidos durante o período dele à frente do bureau. A Casa Branca e o CFPB não responderam imediatamente a solicitações de comentário.
Perguntas Frequentes
O que a senadora Warren disse sobre mudanças no CFPB sob Trump?
A senadora Elizabeth Warren disse na quinta-feira que a reformulação do Consumer Financial Protection Bureau (CFPB) feita pelo governo Trump custou aos americanos até US$ 26,5 bilhões. O relatório atribui US$ 15 bilhões ao abandono de um limite para multas por atraso no cartão de crédito, US$ 7,5 bilhões à revogação de uma regra de taxa de cheque especial e cerca de US$ 4 bilhões ao descarte de ações de fiscalização.
Por que Russell Vought está enfrentando uma audiência no Senado?
O diretor interino do CFPB, Russell Vought, enfrenta nesta quinta-feira uma audiência de supervisão no Senado sobre ações que incluem o cancelamento de ações de fiscalização e ordens de consentimento, além da alegação de que a agência recentemente removeu 15 anos de dados de consumidores do site do CFPB. O relatório de Warren se concentra em recuos no limite de taxas feitos sob a liderança de Vought.
Quem foi indicado para liderar o CFPB permanentemente?
O presidente Donald Trump indicou Brian Johnson, ex-diretor adjunto do CFPB que virou executivo da Capital One, para liderar a agência permanentemente. O Senado está avaliando a indicação dele enquanto democratas criticam as mudanças feitas pelo governo Trump no watchdog financeiro do consumidor.