A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, alertou que a Europa corre o risco de perder a soberania dos pagamentos para stablecoins dos EUA e redes estrangeiras. Falando na conferência do BCE, "Money In Transition: Digitalisation And Innovation In Payments", Lagarde sublinhou a dependência da Europa relativamente a sistemas de pagamento internacionais: os esquemas estrangeiros representam mais de 60% dos pagamentos com cartão na Europa e 13 dos 21 países da área do euro não têm esquemas nacionais de cartões. O aviso reflecte tensões geopolíticas, à medida que os bancos centrais reavaliam o controlo da infra-estrutura de pagamentos num contexto de expansão rápida das stablecoins e das finanças tokenizadas para mercados institucionais.
Lagarde alerta que a Europa não tem uma rede de pagamentos pan-europeia
O discurso de Lagarde centrou-se na dependência da Europa em relação a sistemas de pagamento estrangeiros, alertando que o continente não dispõe de uma rede de cartões pan-europeia capaz de competir à escala continental. Segundo Lagarde, os esquemas internacionais representam mais de 60% dos pagamentos com cartão na Europa, enquanto 13 dos 21 países da área do euro já não têm um esquema nacional de cartões.
Lagarde afirmou: "A Europa não tem um esquema pan-europeu de cartões próprio e, na maior parte do que as pessoas tocam e passam, funciona em redes que não controlamos." Enquadrou o euro digital como uma solução para quebrar essa dependência, argumentando que o seu estatuto de moeda com curso legal exigiria aceitação em toda a União Europeia.
A presidente do BCE acrescentou: "O euro digital quebra esse ciclo. Devido ao seu estatuto de moeda com curso legal, tem de ser aceite em todo o lado. Isto daria à Europa, finalmente, um instrumento de pagamento que funciona em toda a União."
O discurso reflectiu preocupações europeias crescentes sobre soberania financeira, à medida que as tensões geopolíticas e a fragmentação financeira relacionada com sanções levam os governos e os bancos centrais a reavaliar a titularidade dos sistemas de pagamento, o controlo dos sistemas de liquidação e a dependência de redes estrangeiras.
BCE posiciona a moeda do banco central como base das finanças tokenizadas
Lagarde sublinhou a posição do BCE de que as finanças tokenizadas exigem moeda do banco central para escalar de forma segura. O discurso alertou que os mercados tokenizados podem fragmentar-se em sistemas privados isolados, a menos que a liquidação ocorra com recurso a moeda pública confiável.
Segundo Lagarde, os participantes no mercado disseram ao BCE que não emitiriam activos digitais em grande escala sem acesso à infra-estrutura de liquidação do banco central. "Não vão comprometer-se com a emissão de activos digitais em grande escala até poderem liquidar em moeda do banco central", disse Lagarde. "Nada mais é confiável e aceite por todos, e nada mais consegue expandir e contrair-se com as necessidades do mercado de modo a que a liquidez esteja lá quando o sistema mais precisa."
O BCE destacou duas iniciativas principais concebidas para apoiar a liquidação tokenizada:
- Pontes: Infra-estrutura para liquidação de finanças tokenizadas
- Appia: Sistema de apoio ao ecossistema europeu de finanças tokenizadas
Lagarde sustentou que "a titularidade da infra-estrutura financeira" funciona cada vez mais como um "instrumento de poder", enquadrando a questão como parte de uma competição global que envolve moedas digitais, sistemas de pagamento transfronteiriços, infra-estrutura de stablecoins e sistemas de liquidação.
BCE cria ligações de pagamentos transfronteiriços com a Índia e o Sudeste Asiático
O discurso destacou esforços do BCE para construir ligações de infra-estrutura de pagamentos internacionais. Lagarde apontou a rede de pagamentos UPI da Índia, o sistema Nexus do Sudeste Asiático e a expansão global de stablecoins como exemplos de infra-estruturas de pagamento em rápida evolução.
O BCE está a construir ligações entre o sistema TIPS da Europa e o UPI da Índia, ligações à rede Nexus do Sudeste Asiático e a realizar uma análise de integração envolvendo o sistema SIC IP da Suíça. Segundo Lagarde, o objectivo é permitir que os europeus enviem dinheiro a nível global "em segundos, nas infra-estruturas que controlamos".
O BCE alertou ainda que a Europa corre o risco de recriar a fragmentação se os Estados-Membros prosseguirem quadros jurídicos desconectados para activos digitais. Lagarde disse que os regimes regulatórios nacionais já se multiplicam, afirmando: "A menos que estabeleçamos esse quadro primeiro, vamos reconstruir na lei a fragmentação que a tecnologia está actualmente a dissolver."
FAQ
O que é que Christine Lagarde alertou sobre a infra-estrutura de pagamentos da Europa?
Christine Lagarde alertou, numa conferência do BCE, que a Europa corre o risco de perder a soberania dos pagamentos para stablecoins suportadas em dólares americanos e redes tecnológicas estrangeiras. Ela afirmou que os esquemas internacionais representam mais de 60% dos pagamentos com cartão europeus e que 13 dos 21 países da área do euro já não têm esquemas nacionais de cartões, destacando a dependência da Europa relativamente a sistemas de pagamento estrangeiros.
Que iniciativas do BCE é que Lagarde anunciou para finanças tokenizadas?
Lagarde destacou duas iniciativas do BCE concebidas para apoiar a liquidação tokenizada e um ecossistema europeu de finanças tokenizadas: Pontes e Appia. Sublinhou que os participantes no mercado disseram ao BCE que não emitiriam activos digitais em grande escala sem acesso à infra-estrutura de liquidação do banco central, posicionando a moeda do banco central como essencial para que as finanças tokenizadas escalem com segurança.
Que ligações de pagamentos transfronteiriços é que o BCE está a construir?
O BCE está a construir ligações entre o sistema TIPS da Europa e a rede de pagamentos UPI da Índia, ligações ao sistema Nexus do Sudeste Asiático, e está a realizar uma análise de integração envolvendo o sistema SIC IP da Suíça. Segundo Lagarde, estas ligações visam permitir que os europeus enviem dinheiro a nível global em segundos, numa infra-estrutura controlada pela Europa.