A gigante do design de arquiteturas de semicondutores Arm divulgou seus mais recentes resultados financeiros, mostrando que a empresa está em um momento crucial de transição dos dispositivos móveis para data centers de inteligência artificial (IA). Embora a receita e o lucro do quarto trimestre tenham superado as expectativas do mercado, a fraqueza do setor de smartphones fez com que a receita de royalties ficasse abaixo da meta, levando a uma queda de cerca de 6% no preço das ações em alguns momentos após o pregão. O CEO Rene Haas afirmou que, apesar do crescimento de celulares de entrada ter virado negativo, a forte demanda por infraestrutura de IA deve compensar essa lacuna. A Arm espera que, nos próximos anos, computação em nuvem e novos CPUs de AGI se tornem o motor central do crescimento de receita. A empresa também tenta ampliar sua participação de mercado no competitivo mercado de IA ao oferecer soluções de chips desenvolvidas com base em seu próprio design.
Arm: análise das previsões financeiras e diferença em relação ao consenso do mercado
Os resultados da Arm neste trimestre (quarto trimestre do ano fiscal de 2024) seguem o padrão de “receita acima do esperado e royalties fracos”. A receita do período atingiu US$ 1,49 bilhão, alta de 20% em relação ao ano anterior, e o lucro por ação (EPS) foi de US$ 0,60, ambos acima das expectativas dos analistas. No entanto, os royalties (Royalties) — que são o foco do mercado — totalizaram US$ 671 milhões, abaixo da projeção de US$ 693 milhões. Isso indica que, embora a demanda por novas licenças de design (Licensing) esteja forte, o ritmo de envios dos produtos finais existentes ficou um pouco aquém. A empresa projeta para o próximo trimestre uma receita de US$ 1,26 bilhão e um EPS de cerca de US$ 0,40, sugerindo uma postura ainda cautelosamente otimista em relação ao crescimento futuro. Ainda assim, a reação dos investidores à queda dos royalties foi mais sensível, causando volatilidade no preço das ações após o pregão: chegou a subir e depois recuou cerca de 6%.
CEO alerta desaceleração do crescimento no mercado de smartphones
O CEO Rene Haas destacou que a indústria de smartphones está passando por uma desaceleração significativa no crescimento, especialmente no mercado de entrada, onde inclusive há crescimento negativo. A Arm, historicamente, depende fortemente do mercado de dispositivos móveis para sua receita de licenciamento, de modo que a oscilação dos smartphones afeta diretamente seu modelo de lucratividade. Atualmente, os fabricantes de celulares enfrentam problemas na cadeia de suprimentos, como escassez de chips de memória, o que também limita a capacidade total. Para reduzir a dependência de um setor de eletrônicos de consumo mais volátil, a Arm está acelerando a expansão de seu escopo tecnológico para áreas como automotivo, IoT (Internet das Coisas) e data centers, buscando uma estrutura de receita mais estável e uma forma de se proteger contra o risco de desaceleração em um único mercado.
Estratégia de transição para data centers de IA e CPUs de AGI
Diante da queda no mercado de celulares, os data centers de IA (Data Center) são vistos como o motor de crescimento mais importante da Arm. Provedores de serviços de computação em nuvem (Cloud Computing) estão aumentando significativamente os investimentos em infraestrutura para atender à demanda por computação de IA generativa, o que impulsiona o interesse por chips baseados na arquitetura da Arm. A empresa planeja lançar um novo produto chamado “AGI CPU” e prevê que, entre 2027 e 2028, ele vai contribuir com mais de US$ 2 bilhões de receita, segundo a Bloomberg. A Arm também havia dito em março que já havia recebido pedidos no valor de US$ 1 bilhão. Essa mudança simboliza que a Arm, que antes atuava apenas como fornecedora de licenças de tecnologia (Neutral IP provider), passa a adotar um modelo de negócios com participação mais direta no desenvolvimento de produtos de chips, com o objetivo de capturar de forma mais eficaz os lucros acima do normal trazidos pela onda de IA.
Plano de estratégia de IA do grupo SoftBank e sinergias
A Arm ainda é majoritariamente controlada pelo grupo japonês SoftBank, que detém cerca de 90% das ações. Masayoshi Son, fundador da SoftBank, tem impulsionado o grupo a avançar para a fabricação de chips de IA e nomeou Rene Haas para atuar também como responsável pelos negócios internacionais da SoftBank, a fim de fortalecer sinergias internas. Nos últimos anos, a SoftBank comprou empresas de chips como Ampere Computing e Graphcore, sinalizando sua ambição de construir um ecossistema de IA. A atribuição do papel duplo a Haas visa integrar os recursos de IA do SoftBank para que, enquanto a Arm fornece a base de arquitetura, ela também se conecte de forma mais estreita com a pesquisa e desenvolvimento de chips e com o lado de aplicações do grupo, consolidando sua posição de autoridade na era da computação de IA.
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