B3 lançará contratos de previsão vinculados ao Bitcoin enquanto o Brasil proíbe Polymarket e Kalshi

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A bolsa de valores brasileira B3 está lançando hoje seis “Contratos de Evento”, incluindo instrumentos ligados a movimentos do preço do bitcoin. O primeiro mercado de previsões regulado federalmente do país surge três dias depois de o Conselho Monetário Nacional ter proibido derivativos baseados em eventos esportivos, políticos e de entretenimento, preservando explicitamente a categoria de ativos financeiros sob a qual os contratos da B3 se enquadram.

Principais destaques:

  • A B3 lança seis Contratos de Evento em 27 de abril, com o bitcoin entre três ativos subjacentes.
  • A Resolução nº 5,298 do CMN proíbe derivativos de previsão de esportes e política a partir de 4 de maio.
  • A ANATEL bloqueou 28 plataformas de mercado de previsões, incluindo Polymarket e Kalshi.

Brasil traça uma linha regulatória entre derivativos de ativos e de eventos

Os seis Contratos de Evento da B3 estão ligados a movimentos de contratos à vista e mini futuros no índice Ibovespa, no real brasileiro e no bitcoin, com preços limitados a 100 reais (aproximadamente $19) e liquidação apenas em dinheiro. Os contratos se baseiam na mesma estrutura mecânica usada por operadores de mercado de previsões baseados nos EUA Kalshi e Polymarket, e foram autorizados pelo órgão regulador de valores mobiliários do Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Eles são restritos a investidores profissionais com pelo menos 10 milhões de reais (aproximadamente $1,9 milhão) em ativos ou com certificação técnica da CVM.

O lançamento acontece três dias após o Conselho Monetário Nacional (CMN), o principal órgão de política monetária do Brasil, ter publicado a Resolução CMN nº 5,298 em 24 de abril. A resolução proíbe derivativos baseados em eventos esportivos reais, jogos online e eventos políticos, eleitorais, sociais, culturais ou de entretenimento, preservando derivativos ligados a variáveis econômicas e financeiras. As regras entram em vigor em 4 de maio, com a aplicação e a regulamentação complementar delegadas à CVM.

Em uma coletiva de imprensa no mesmo dia, o ministro da Fazenda Dario Durigan e o ministro da Casa Civil Miriam Belchior anunciaram que a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) do Brasil bloqueou o acesso a 28 plataformas de mercado de previsões que operavam sem autorização, com o chefe da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), Régis Dudena, confirmando que novos bloqueios ocorreriam para quaisquer plataformas fora do escopo permitido pelo CMN.

A resolução cita explicitamente o marco federal de apostas esportivas do Brasil como base legal para diferenciar apostas fixas licenciadas de derivativos baseados em eventos. O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável, uma entidade setorial de comércio para operadores brasileiros licenciados, endossou a resolução no mesmo dia, enquadrando-a como uma forma de impedir “arbitragem regulatória” por plataformas estrangeiras que tentam operar como instrumentos financeiros em vez de operadores de jogos licenciados.

Fundada em 2017 a partir da fusão da BM&FBovespa e da Cetip, a B3 (Brasil, Bolsa, Balcão) é a principal bolsa de valores do Brasil e o maior operador de infraestrutura de mercado financeiro da América Latina. A B3 já oferece contratos futuros de Bitcoin, lançados em abril de 2024, além de derivativos ligados a ações, moedas, commodities e taxas de juros.

Este lançamento é o primeiro mercado de previsões regulado federalmente no Brasil, segundo o enquadramento da própria empresa, e chega exatamente do lado certo da nova linha. TK source on this De acordo com Luiz Masagão, vice-presidente executivo de Produtos e Clientes da B3, os contratos fazem parte de uma estratégia mais ampla para modernizar o mercado de derivativos do país, com a B3 já oferecendo instrumentos vinculados a decisões do banco central em outras jurisdições.

A bolsa também divulgou separadamente planos para lançar uma plataforma de tokenização e um stablecoin antes do fim do ano, informou a Bloomberg no início deste mês. O lançamento ocorre em meio a um boom global de mercados de previsões, com a Kalshi tendo entrado no Brasil em janeiro por meio de uma parceria com a corretora XP International. Com a Polymarket, Kalshi e outras 26 plataformas estrangeiras agora bloqueadas no nível de rede, a B3 entra em um mercado doméstico que o governo liberou em seu nome, com dezenas de bilhões em volume nocional em jogo.

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