Banco de Compensações Internacionais: stablecoins atreladas ao dólar contornam controles de capital em mais de 130 economias, acelerando a digitalização do dólar

O grupo de pesquisa do Banco de Compensações Internacionais (BIS) publicou o documento de trabalho nº 1370, analisando dados de depósitos em moeda estrangeira e de entradas de stablecoins atreladas ao dólar de mais de 130 economias. A pesquisa constatou que as stablecoins em dólares estão se difundindo nos mercados emergentes por meio de mecanismos de “digitalização do dólar”, e que as entradas de stablecoins quase não respondem a controles de capital e restrições cambiais, porque “uma parte das stablecoins circula fora do alcance regulatório”.

Documento de trabalho nº 1370 do BIS: entradas de stablecoins quase não reagem a controles de capital

De acordo com o documento de trabalho nº 1370 do BIS, o estudo fez uma análise comparativa dos dados de depósitos em moeda estrangeira e de entradas de stablecoins atreladas ao dólar, com projeto de pesquisa que abrange mais de 130 economias. O estudo concluiu que, durante períodos de pressão macroeconômica (como desvalorização da moeda local ou alta da inflação), tanto os depósitos tradicionais em moeda estrangeira quanto as entradas de stablecoins aumentam; porém a diferença fundamental é a seguinte: os depósitos tradicionais em moeda estrangeira entram pelo canal bancário, e o governo consegue controlar isso por meio de restrições cambiais ou cotas de câmbio, enquanto as stablecoins fazem a transferência on-chain, permitindo que os residentes convertam o dinheiro imediatamente em USDT ou USDC, sem precisar passar pela janela de câmbio dos bancos.

Pesquisadores do BIS destacaram no documento que isso significa que o poder de controle do governo sobre stablecoins pode ser mais fraco do que sobre depósitos tradicionais em moeda estrangeira. A pesquisa também encontrou que os depósitos em moeda estrangeira, por si só, têm pouco impacto na transmissão da política monetária, mas os países com maior nível de depósitos em moeda estrangeira enfrentam maior risco de inflação.

Crescimento de stablecoins no 1º semestre de 81%; USDC/USDT ultrapassam Bitcoin pela primeira vez

No nível de casos concretos, uma análise recente do FMI sobre a Nigéria aponta que, no local, famílias e pequenas empresas usam amplamente stablecoins atreladas ao dólar para pagamentos internacionais, remessas e alocação de ativos em dólar. As stablecoins reduzem custos e tempo das transferências transfronteiriças e, ao mesmo tempo, deslocam mais atividades financeiras para fora dos canais bancários tradicionais.

A adoção na América Latina é ainda mais evidente: o relatório da Bitso Business indica que, no 1º semestre de 2026, o volume de transações de pagamentos com stablecoins cresceu 81% ano a ano; USDC da Circle e USDT da Tether respondem por 40% de todas as compras de criptoativos na América Latina, ultrapassando o Bitcoin pela primeira vez.

Valor de mercado global de stablecoins sobe para US$ 309,7 bilhões

Segundo dados da DefiLlama, o valor de mercado global de stablecoins já subiu para cerca de US$ 309,7 bilhões, acima dos US$ 260 bilhões de um ano antes, um crescimento de quase 20%, sugerindo que as stablecoins estão se tornando parte da infraestrutura financeira diária dos mercados emergentes, e não apenas um meio de transação restrito ao ecossistema cripto.

No documento, o BIS lembra os formuladores de políticas que a efetividade dos marcos regulatórios tradicionais de bancos e depósitos em moeda estrangeira pode diminuir no contexto de um sistema financeiro tokenizado, e propõe as seguintes três ferramentas de política:

Monitoramento de liquidez on-chain: criar um mecanismo de rastreamento em tempo real do fluxo de fundos de stablecoins na rede

Mecanismo de transparência de reservas dos emissores de stablecoins: exigir que emissores como USDT e USDC divulguem periodicamente detalhes dos ativos de reserva

Coordenação regulatória transnacional: estabelecer um marco internacional de cooperação regulatória para fluxos transfronteiriços de stablecoins

Perguntas frequentes

Quais são os principais resultados do estudo do documento de trabalho nº 1370 do BIS?

De acordo com o documento de trabalho nº 1370 do BIS, após analisar dados de mais de 130 economias, o estudo concluiu que as entradas de stablecoins atreladas ao dólar quase não respondem a controles de capital e restrições cambiais, porque uma parte das stablecoins circula fora do alcance regulatório, e o uso de transferências on-chain contorna os canais bancários de câmbio.

Qual é, atualmente, o valor de mercado global de stablecoins?

De acordo com dados da DefiLlama, o valor de mercado global de stablecoins já subiu para cerca de US$ 309,7 bilhões, acima dos US$ 260 bilhões de um ano antes, um crescimento de quase 20%.

Por que os dados da Bitso Business sobre pagamentos com stablecoins na América Latina são relevantes?

Segundo o relatório da Bitso Business, no 1º semestre de 2026 o volume de transações de pagamentos com stablecoins cresceu 81% ano a ano; USDC e USDT respondem por 40% de todas as compras de criptoativos na América Latina, ultrapassando o Bitcoin pela primeira vez.

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