
O relatório divulgado em 21 de maio pela Free Market Foundation critica as cláusulas de propriedade privada e privacidade em um projeto de lei. Em 17 de abril, o Ministério das Finanças da África do Sul publicou uma minuta de regulamentação de gestão de fluxos de capital (CFM), com o objetivo de substituir as disposições de controle de câmbio introduzidas em 1961. A minuta inclui disposições como declaração obrigatória de posições cripto, entrega compulsória de chaves cripto e busca e apreensão de equipamentos sem mandado judicial.
Principais disposições da minuta do CFM voltadas a criptomoedas
De acordo com o texto da minuta, as sete principais disposições para ativos cripto são as seguintes:
Declaração obrigatória: cidadãos sul-africanos devem declarar ao governo todas as criptomoedas que possuem
Restrições de transação: transações de ativos cripto acima de um limite devem ser realizadas por ou ter licença obtida junto a provedores autorizados de serviços de ativos cripto (CASP)
Restrições de uso: ao comprar criptomoedas por meio de um CASP autorizado, é necessário declarar a finalidade, sendo proibido desviar o uso
Venda compulsória: o Ministério pode obrigar detentores a transferir os ativos cripto ao Estado na taxa de câmbio do rand determinada pelo governo
Entrega compulsória de chaves: autoridades podem obrigar qualquer pessoa a entregar senhas, chaves cripto e chaves de descriptografia; a recusa em entregar configura crime
Busca sem mandado: autoridades do governo podem entrar em residências ou locais de trabalho sem mandado, realizar busca e apreender equipamentos, copiando dados
Sanções de caráter punitivo: infrações podem resultar em multa de pelo menos 1 milhão de rands ou no valor da multa da infração (o que for maior), ou 5 anos de prisão, ou ambas as penas
Situação atual do uso de criptomoedas na África do Sul
A África do Sul já estabeleceu uso comercial prático de criptomoedas: clientes de supermercados Pick n Pay podem usar Bitcoin para fazer compras, e bairros residenciais informais de Witsand, Plettenberg Bay e Mossel Bay já apresentam uma economia local de Bitcoin em circulação. A África do Sul também tem um ecossistema ativo de startups de tecnologia financeira e aplicativos de varejo de Bitcoin. A Free Market Foundation afirma que os requisitos de licenciamento de transações do projeto de lei aumentariam o ônus de conformidade para pequenas empresas e indivíduos, enquanto grandes CASP teriam relativamente mais facilidade para se adaptar aos novos requisitos.
Contexto do procedimento: normas podem contornar o processo legislativo
A minuta do CFM é promulgada na forma de ordem ministerial, diferente de uma legislação formal que exige aprovação do Parlamento, podendo entrar em vigor da noite para o dia. O período de consulta pública é de apenas 22 dias (de 17 de abril a 18 de maio). Até o momento desta reportagem, o Ministério das Finanças da África do Sul e o Banco Central da África do Sul (SARB) não fizeram comentários oficiais sobre as críticas externas ao projeto de lei.
Perguntas frequentes
O prazo de consulta pública da minuta do CFM na África do Sul já terminou. Qual é o próximo passo?
O prazo para envio de contribuições para a consulta pública termina em 18 de maio de 2026. O procedimento subsequente ao projeto de lei é conduzido pelo Ministério das Finanças da África do Sul, que revisa e modifica o texto com base nas opiniões recebidas, podendo então o ministro promulgá-lo por meio de uma ordem, sem necessidade de aprovação do Parlamento. O Ministério das Finanças da África do Sul ainda não divulgou o cronograma de revisões finais da minuta.
Quais são as consequências legais da exigência de entrega compulsória de chaves cripto?
De acordo com as disposições da minuta, autoridades do governo podem obrigar qualquer pessoa a entregar senhas, chaves cripto e chaves de descriptografia, e a recusa em entregar configura crime. As sanções gerais por violação incluem multa de pelo menos 1 milhão de rands ou no valor da multa da infração (o que for maior), ou 5 anos de prisão, ou ambas as penas.
Por que a minuta do CFM adota o formato de regulamentação em vez de legislação?
A minuta do CFM é promulgada na forma de regulamentação com base na Lei de Moeda e Câmbio de 1933, permitindo que o ministro a faça entrar em vigor por meio de uma simples ordem, sem debate ou aprovação do Parlamento. A Free Market Foundation aponta que esse formato processual enfraquece o mecanismo de responsabilização entre o público e os representantes eleitos.