Goldman Sachs cria uma “proibição de mercados preditivos” para os seus colaboradores, como medida de precaução para evitar a repetição do caso de insider trading no Google

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De acordo com a CNBC, a 9 de julho, fontes com conhecimento dos factos revelaram que Goldman Sachs e JPMorgan proibiram os seus funcionários de negociar contratos de mercados de previsão relacionados com acontecimentos, eleições, mercados financeiros, dados macroeconómicos e previsões de natureza geopolítica específicas; esta medida surge na sequência de alegações de que funcionários do Google terão usado dados internos do Google para negociar na Polymarket, obtendo lucros de cerca de 1,2 milhões de dólares.

O caso de Michele Spagnuolo: lucros de 1,2 milhões de dólares com transações com base em informação privilegiada por parte de um funcionário do Google

Segundo a acusação da CFTC, o funcionário do Google Michele Spagnuolo usou a conta “AlphaRaccoon” para negociar na Polymarket contratos de eventos relacionados com a lista anual de pesquisas do navegador do Google, alegadamente lucrando cerca de 1,2 milhões de dólares com base em informação material não pública (MNPI); este caso é o primeiro até agora em que há acusação de transações com base em informação privilegiada dentro de contratos de eventos envolvendo uma empresa privada, apresentado em conjunto pela CFTC e pelo Departamento de Justiça em maio de 2026.

Especialistas em direito referem que as plataformas de previsão abrangem um número enorme de tipos de contratos, pelo que as vias de utilização abusiva de MNPI são vastas: funcionários de empresas podem usar dados internos para negociar contratos relacionados com, por exemplo, o número de trabalhadores da própria empresa, anúncios de novos produtos ou a direção futura da companhia, criando um problema de “caça aos moles” de informação privilegiada difícil de acompanhar de forma exaustiva.

Estado atual das políticas de contratos em instituições financeiras como Goldman Sachs, Morgan Stanley, JPMorgan, entre outras

De acordo com a reportagem da CNBC, as medidas adotadas pelas principais instituições financeiras são as seguintes:

Goldman Sachs: já proibiu os funcionários de negociar contratos de mercados de previsão relacionados com acontecimentos, eleições, mercados financeiros, dados macroeconómicos e geopolítica; o porta-voz do Goldman recusou comentar a política, mas afirmou que a proibição inclui a utilização de informação material não pública para negociar “em todos os mercados”.

Morgan Stanley: um porta-voz afirmou que já criou uma política de negociação em mercados de previsão no código de conduta dos funcionários, sem revelar mais detalhes.

JPMorgan: segundo o “Barron’s”, a empresa tem incentivado os funcionários a agir com cautela ao negociar em mercados de previsão, especialmente contratos ligados ao setor financeiro.

Bank of America: está a atualizar a política, clarificando comportamentos proibidos dos funcionários e fornecendo exemplos.

United Airlines: não existe uma política clara para negociações em mercados de previsão, mas as regras para funcionários proíbem tirar partido de segredos da empresa obtidos através da posição para obter benefícios pessoais.

Perguntas frequentes

Por que razão instituições financeiras como o Goldman Sachs começaram a definir políticas de informação privilegiada relacionadas com mercados de previsão?

De acordo com a reportagem, o principal fator de disparo foi a acusação, em maio de 2026, pela CFTC e pelo Departamento de Justiça contra o funcionário do Google Michele Spagnuolo; trata-se do primeiro caso de acusação de transações com base em informação privilegiada envolvendo contratos de eventos de uma empresa privada. Especialistas em direito afirmam que existem muitos tipos de contratos de mercados de previsão e que isso cria uma nova via para obter lucro com base em informação material não pública; à medida que mais casos são levados a tribunal, as empresas que não adotarem políticas suficientemente robustas podem enfrentar riscos de responsabilidade potenciais.

Qual é o estado atual da CFTC na regulamentação de transações com base em informação privilegiada em mercados de previsão?

De acordo com Karen Woody, professora de Direito da Universidade de Washington e Lee, a CFTC tem “uma folha em branco” no combate a transações com base em informação privilegiada em mercados de previsão; até agora há muito poucos casos, e a área é ainda bastante recente. A CFTC não respondeu às questões da CNBC sobre se as empresas podem ser responsabilizadas por transações com informação privilegiada feitas por funcionários. A direção concreta da supervisão deverá seguir os anúncios oficiais da CFTC.

Que medidas anti-informação privilegiada já adotaram as próprias Kalshi e Polymarket?

De acordo com a reportagem, a Kalshi lançou, em junho de 2026, uma ferramenta de verificação de emprego e, em parceria com a StarCompliance, permite que os empregadores consultem registos de transações dos funcionários; em fevereiro já tinha estabelecido uma colaboração com a empresa de integridade do mercado Solidus Labs. A Polymarket, por sua vez, fez parceria com a Chainalysis para monitorização on-chain e com a Palantir para monitorizar atividades suspeitas relacionadas com contratos desportivos. Consultores jurídicos indicam que estes passos são apenas o início, e que as empresas não devem depender apenas da plataforma para impedir informação privilegiada, devendo formar os funcionários e definir políticas.

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