
O relatório “2026 Crypto Owner Status Report” publicado em maio pela Associação Nacional de Criptomoedas dos EUA (NCA) em conjunto com a Harris Poll mostra que mais de 67 milhões de adultos norte-americanos já detêm criptomoedas atualmente, o que representa um aumento de 12 milhões face a 2025. O relatório confirma ainda: 90% dos detentores planeiam continuar a comprar criptomoedas no próximo ano; 77% dizem que as criptomoedas tiveram um impacto positivo na sua vida.
Mudanças confirmadas na demografia dos detentores: idade, género e rendimento
Os dados demográficos desta sondagem indicam que a composição dos detentores de criptomoedas está a sofrer uma mudança quantificável:
Em termos de género, entre os novos compradores que entraram no mercado nos últimos 12 meses (de 2025 a 2026), as mulheres representam 42%, acima dos 34% do grupo de compradores que entrou mais cedo antes de 2025. Em termos de idade, os 18 aos 24 anos representam 18% dos compradores recentes, e os maiores de 55 anos representam 28%; a percentagem de entrada dos Baby Boomers duplicou, passando de 6% antes de 2025 para 13% no grupo de compradores recentes, enquanto a Geração Z aumentou de 24% para 29%. Em termos de rendimento, 90% dos detentores têm rendimento anual inferior a 500 mil dólares, 23% têm rendimento anual inferior a 75.000 dólares, e mais de metade dos detentores tem um rendimento anual do agregado familiar inferior a 150 mil dólares.
Em distribuição profissional, a área tecnológica continua a representar a maior fatia dos detentores (18%); construção e indústria transformadora somam 21%, cobrindo um conjunto mais amplo de trabalhadores manuais e de sectores industriais tradicionais. Em termos geográficos, o Sul regista a maior proporção de detentores, atingindo 38%.
Mudanças nos padrões de utilização: confirmações de uma transição de ferramenta de investimento para aplicação do dia a dia
O relatório confirma que os padrões de utilização das criptomoedas evoluíram para além da mera posse/ investimento, passando para o consumo diário e a transferência social: 41% dos detentores já ofereceram criptomoedas a familiares e amigos, e 40% já as usaram para comprar bens e serviços. Nos planos para o futuro, 90% tencionam comprar mais criptomoedas, 72% planeiam utilizá-las para consumo e 65% planeiam oferecê-las a familiares e amigos; mais de metade dos inquiridos que planeiam comprar prevê que o valor das compras possa atingir 5.000 dólares no próximo ano. 63% dos detentores dizem que o seu interesse em criptomoedas aumentou face a 2025.
Níveis de confiança, principais obstáculos e dados confirmados sobre o CLARITY Act
Comparação de confiança: 69% dos detentores confiam nas criptomoedas; 65% dos detentores confiam nos bancos tradicionais
Perceção de fiabilidade: 75% dos detentores consideram que as criptomoedas são “verificadas e fiáveis”
Principais obstáculos: 72% dos detentores dizem ter preocupações com burlas e questões de segurança
Fatores para construir confiança: a transparência ocupa o primeiro lugar com 49%; os casos de utilização práticos e a integração com as finanças tradicionais ficam cada um com 42%
Evolução legislativa do CLARITY Act: o Comité de Bancos do Senado aprovou o projeto em 14 de maio, por votação de 15:9, e foi já remetido para apreciação do pleno do Senado; o CEO da NCA e Chief Legal Officer da Ripple, Stuart Alderoty, afirmou: “Há 67 milhões de americanos que detêm criptomoedas; os dados estão aí e chegou o momento”
Perguntas frequentes
A metodologia do inquérito do NCA “2026 Crypto Owner Status Report” tem fiabilidade estatística?
O relatório baseia-se num inquérito online conduzido pela Harris Poll em representação da NCA, com uma amostra de 10.000 adultos norte-americanos que dizem possuir criptomoedas, realizado entre 12 de fevereiro e 3 de março de 2026. Os investigadores aplicaram ponderação e extrapolação aos resultados para estimar a população mais abrangente de detentores de criptomoedas nos EUA, chegando a um valor estimado de cerca de 67 milhões. Com um nível de confiança de 95%, a margem de erro é de ±0,7 pontos percentuais. Importa notar que os inquiridos do relatório são utilizadores que dizem possuir criptomoedas; trata-se de uma amostragem não aleatória e a extrapolação dos 67 milhões resulta de um modelo ponderado, e não de estatísticas diretas.
Qual é o contexto por detrás dos dados de que a confiança nas criptomoedas (69%) supera a confiança nos bancos tradicionais (65%)?
Esta comparação baseia-se nas classificações de confiança de um mesmo grupo (detentores de criptomoedas) para dois sistemas financeiros, e não num inquérito aos adultos dos EUA no seu conjunto. No grupo de pessoas que detêm criptomoedas, o facto de terem escolhido as próprias criptomoedas é já uma ação que revela algum grau de confiança, pelo que existem fatores de enviesamento de seleção que fazem com que este grupo apresente níveis mais elevados de confiança nas criptomoedas do que no caso dos bancos tradicionais. Ainda assim, a taxa de confiança de 65% nos bancos tradicionais mostra que a confiança do grupo de detentores nas instituições bancárias não está totalmente ausente; a diferença entre os dois (4 pontos percentuais) continua dentro da margem de erro de ±0,7% e é estatisticamente significativa.
Que impactos diretos confirmados é que a aprovação do CLARITY Act tem para os detentores de criptomoedas?
O CLARITY Act tem como objetivo criar um enquadramento regulamentar federal para ativos digitais; neste momento, foi aprovado no Comité de Bancos do Senado (votação de 15:9), mas ainda aguarda a apreciação do pleno do Senado e ainda não se tornou lei. As direções de cláusulas confirmadas incluem: regras federais mais claras para a classificação e transações de ativos digitais, reforçando o enquadramento de proteção do consumidor. Stuart Alderoty descreveu a lei como uma iniciativa destinada a “proteger os legítimos direitos dos cidadãos comuns dos EUA na economia cripto de centenas de milhares de milhões de dólares, e não proteger uma determinada indústria”. As cláusulas legislativas completas terão de aguardar a conclusão da apreciação do pleno do Senado, antes de poderem ser confirmadas.