A Adecoagro, uma empresa sul-americana de agronegócio maioritariamente detida pela Tether, está a preparar o lançamento de uma operação de mineração de Bitcoin no Brasil alimentada por eletricidade gerada a partir do processamento da cana-de-açúcar, com operações previstas para arrancar por volta de 1 de julho de 2026. O projeto começará com 10 megawatts de capacidade inicial e aproximadamente 1.280 máquinas de mineração de Bitcoin. A iniciativa utiliza eletricidade excedente produzida a partir do bagaço, o subproduto fibroso do esmagamento da cana-de-açúcar, para monetizar energia renovável que, de outra forma, seria vendida à rede ou ficaria por utilizar. A participação maioritária da Tether na Adecoagro dá ao emissor da stablecoin exposição a matérias-primas físicas, ativos de energia renovável e infraestrutura agrícola, à medida que grandes empresas cripto diversificam cada vez mais para além dos serviços de ativos digitais.
Tether adquire participação maioritária na Adecoagro
A Adecoagro é um grande agronegócio sul-americano com operações nos setores do açúcar, etanol, arroz, laticínios e energia renovável. A Tether, emissora da stablecoin USDT, adquiriu uma participação maioritária na empresa. Essa propriedade liga a Tether a matérias-primas físicas, a ativos de energia renovável e à infraestrutura agrícola.
Biomaça de cana-de-açúcar alimenta piloto de mineração de 10 MW
O projeto de mineração utilizará eletricidade produzida a partir de resíduos de cana-de-açúcar, em particular bagaço, o subproduto fibroso deixado após a cana ser esmagada. As fábricas de açúcar e etanol queimam frequentemente bagaço para gerar vapor e eletricidade para uso industrial. Em operações de grande escala, este processo pode produzir mais eletricidade do que a própria fábrica consome, criando energia excedente que pode ser vendida à rede ou redirecionada para outros usos comerciais. O piloto de 10 megawatts planeado vai implementar aproximadamente 1.280 máquinas de mineração de Bitcoin.
A Adecoagro redireciona energia renovável excedente para mineração de Bitcoin
A lógica económica central por trás do projeto é a monetização da energia. A mineração de Bitcoin é altamente sensível aos custos de eletricidade, à eficiência das máquinas, à disponibilidade (uptime) e ao preço de mercado do Bitcoin. Ao usar energia renovável gerada internamente, a Adecoagro poderá reduzir a exposição a preços voláteis da rede elétrica e criar uma base de custos mais previsível para as operações de mineração. A Adecoagro tem mais de 230 megawatts de capacidade de geração de eletricidade renovável em toda a América do Sul. O piloto de 10 megawatts planeado representa uma fração limitada dessa capacidade. Para produtores de energia, a mineração de Bitcoin pode funcionar como um comprador flexível de eletricidade em excesso. Em vez de vender toda a energia excedente para mercados em que os preços podem flutuar, um produtor pode redirecionar parte dessa produção para a mineração quando a economia for favorável.
O projeto testa escalabilidade para além das matérias-primas agrícolas
Para a Adecoagro, o projeto oferece diversificação para além dos ciclos de matérias-primas agrícolas. Os mercados de açúcar, etanol e das colheitas estão expostos a condições meteorológicas, procura global, custos de inputs e movimentos cambiais. A mineração de Bitcoin introduz um perfil de risco diferente, incluindo dificuldade da rede, depreciação das máquinas, volatilidade do preço dos ativos e escrutínio regulatório. Para a Tether, a exposição à Adecoagro cria uma ligação entre ativos digitais e infraestrutura física produtiva. A mineração alimentada por biomassa agrícola poderá apoiar a estratégia da empresa de acumular Bitcoin enquanto desenvolve fluxos de receita ligados à energia. O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de cana-de-açúcar e tem uma indústria madura de etanol e bioenergia. A geração de eletricidade baseada na cana-de-açúcar já está incorporada no processo industrial, tornando o projeto de mineração menos dependente da construção de toda uma nova infraestrutura energética.
FAQ
O que é que a Adecoagro vai lançar no Brasil?
A Adecoagro está a preparar o lançamento de uma operação de mineração de Bitcoin no Brasil alimentada por eletricidade gerada a partir do processamento da cana-de-açúcar, com operações previstas para arrancar por volta de 1 de julho de 2026. O projeto começará com 10 megawatts de capacidade inicial e aproximadamente 1.280 máquinas de mineração de Bitcoin.
Como é que a Adecoagro gera eletricidade para a mineração de Bitcoin?
O projeto de mineração utiliza eletricidade produzida a partir de bagaço, o subproduto fibroso deixado após a cana-de-açúcar ser esmagada. As fábricas de açúcar e etanol queimam bagaço para gerar vapor e eletricidade para uso industrial. Em operações de grande escala, este processo pode produzir mais eletricidade do que a fábrica consome, criando energia excedente que pode ser redirecionada para a mineração de Bitcoin.
Porque é que a Tether adquiriu uma participação maioritária na Adecoagro?
A participação maioritária da Tether na Adecoagro dá ao emissor da stablecoin exposição a matérias-primas físicas, a ativos de energia renovável e à infraestrutura agrícola. A propriedade liga a Tether a infraestrutura física produtiva e suporta a estratégia da empresa de acumular Bitcoin enquanto desenvolve fluxos de receita ligados à energia.