Comitê de Banca do Senado Avança a Clarity Act em Votação de 15-9

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O Comitê de Bancos do Senado avançou na quinta-feira o Digital Asset Market Clarity Act em uma votação bipartidária de 15-9, levando o projeto de lei que define a estrutura do mercado cripto mais perto de uma possível votação completa no Senado. A medida agora segue para a próxima etapa no Senado, embora ainda precise ser aprovada no plenário e ser conciliada com a legislação da Câmara antes de poder se tornar lei. Senadores democratas Ruben Gallego, do Arizona, e Angela Alsobrooks, de Maryland, juntaram-se a todos os republicanos no comitê para apoiar o projeto.

Objetivo do projeto e estrutura regulatória

O Clarity Act foi criado para estabelecer uma estrutura regulatória federal para ativos digitais, incluindo classificação de tokens, supervisão de mercado, proteção ao consumidor e regras de combate às finanças ilícitas. O presidente do Comitê de Bancos do Senado, Tim Scott, disse que o projeto busca encerrar anos de incerteza no setor cripto, afirmando que desenvolvedores, empreendedores e investidores ficaram em uma zona regulatória cinzenta enquanto ações de fiscalização preencheram o espaço deixado pelo Congresso. Scott enquadrou a legislação como um conjunto de regras de mercado, e não como um projeto partidário, dizendo que o projeto visa proteger consumidores, manter a inovação financeira nos Estados Unidos e apoiar a segurança nacional.

Argumentos dos apoiadores

A senadora Cynthia Lummis, que preside o Subcomitê de Bancos do Senado sobre Ativos Digitais e tem sido uma das principais defensoras do projeto, argumentou que a legislação é necessária para impedir que a atividade de ativos digitais migre para o exterior. Lummis declarou antes da votação: “Sem o Clarity Act, a indústria de ativos digitais vai se mover offshore para qualquer nação que tenha reguladores dispostos a se envolver. Cada dia em que travamos é um dia em que entregamos a nossos concorrentes uma vantagem que não vamos conseguir recuperar.”

Lummis disse que a legislação traria os ativos digitais para o sistema financeiro dos EUA, em vez de deixar o mercado sem padrões federais claros. Ela argumentou que o ambiente atual permite que agentes mal-intencionados operem, enquanto empresas legítimas buscam jurisdições mais claras no exterior. Ao abordar a oposição de partes da indústria bancária, Lummis disse que alguns bancos veem stablecoins e empresas de ativos digitais como concorrentes por depósitos, mas discordou dessa avaliação, argumentando que os bancos devem oferecer produtos de ativos digitais junto com serviços tradicionais.

Lummis observou que emissores de stablecoins podem ajudar a criar mais demanda por Títulos do Tesouro dos EUA, porque stablecoins em conformidade precisam de reservas de alta qualidade. Ela apontou empresas como Tether como grandes compradoras de Treasuries e disse que a nova demanda por dívida do governo poderia sustentar os mercados dos EUA.

O senador Thom Tillis apoiou o projeto após meses de negociações, dizendo que a versão aprovada pelo comitê representa um acordo bipartidário e que mais trabalho continuará antes de uma votação final no Senado.

Apoio da indústria

O projeto conta com apoio de grandes empresas e investidores de cripto, incluindo Coinbase, Circle, Ripple e Andreessen Horowitz. O CEO da Coinbase, Brian Armstrong, chamou a votação de uma oportunidade para avançar o sistema financeiro dos EUA.

Preocupações da indústria bancária

A indústria bancária segue preocupada com a possibilidade de o projeto permitir que empresas de cripto ofereçam programas de recompensas que se assemelham a juros sobre saldos de stablecoin. Defensores do setor dizem que o rascunho atual permite recompensas vinculadas à atividade, como gastos ou transações, e não a rentabilidade passiva.

Preocupações democratas e disputas restantes

Embora o projeto tenha avançado com dois votos democratas, vários democratas disseram que mais trabalho é necessário antes de conseguirem apoiar a medida no plenário do Senado. O senador Mark Warner disse que quer continuar negociações e chegar a uma versão final mais forte. Outros democratas levantaram preocupações sobre poderes de aplicação da lei, proteções a desenvolvedores e regras de ética envolvendo autoridades eleitas com interesses em cripto.

Uma grande disputa envolve dispositivos ligados ao Blockchain Regulatory Certainty Act, que protegeria desenvolvedores de software não custodial de serem tratados como transmissores de dinheiro quando não controlam os fundos dos usuários. Grupos de aplicação da lei argumentaram que a redação poderia tornar alguns casos de crime cripto mais difíceis de perseguir.

A linguagem de ética também permanece indefinida. Alguns democratas defendem disposições mais fortes sobre conflito de interesses depois que o presidente Donald Trump e sua família se envolveram em empreendimentos de cripto.

Oposição

O projeto também enfrenta oposição de grupos bancários, organizações de aplicação da lei e sindicatos. Grupos trabalhistas alertaram que a adoção mais ampla de cripto pode criar riscos para contas de aposentadoria e pensão, enquanto grupos de aplicação da lei querem ferramentas mais fortes para perseguir finanças ilícitas.

Próximos passos

O Clarity Act ainda precisa ser aprovado pelo plenário do Senado. Se for aprovado, será necessário conciliá-lo com uma versão aprovada pela Câmara antes de seguir para a mesa do presidente.

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