O chefe boliviano de combate às drogas, Ernesto Justiniano, e o diretor da Força Especial Antiauto de Narcóticos da Bolívia (FELCN), Frans William Cabrera Quispe, se reuniram com autoridades da DEA para organizar esforços de colaboração. O foco dessa ação seria investigar as redes de lavagem de dinheiro com criptomoedas de Sebastian Marset.
Reguladores globais estão fortalecendo sua integração e colaboração para combater o uso de criptomoedas para fins ilícitos, como lavagem de dinheiro relacionada a drogas.
Na terça-feira, o chefe boliviano de combate às drogas, Ernesto Justiniano, e o diretor da Força Especial Antidrogas da Bolívia (FELCN), Frans William Cabrera Quispe, viajaram a Washington e se reuniram com a Administração de Repressão às Drogas dos EUA (DEA) para fortalecer a cooperação entre os dois países no combate ao tráfico de drogas e a organizações criminosas envolvidas com esses grupos.

O principal foco dessa viagem seria coordenar uma investigação sobre as redes criminosas por trás de Sebastian Marset, apelidado de o Pablo Escobar moderno, capturado em 13 de março na Bolívia, além de outros grupos criminosos de drogas que atuam na Latam. Entre eles estão o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, dois grupos brasileiros que foram acusados de lavar milhões usando moedas digitais.
Marset, atualmente sob custódia dos EUA, é acusado de lavar milhões usando “correios e tokens para entregar de forma clandestina grandes quantidades de moeda ilícita, tipicamente em euros”, de acordo com uma denúncia ainda não selada.
Ao conversar com a mídia local, Justiniano afirmou que, além dos recursos que vêm da venda desses narcóticos, eles estão “também investigando a questão de empresas que podem estar desviando químicos” e “lavagem de dinheiro—especificamente, empresas que receberam fundos via criptomoedas.”
Mirko Sokol, Comandante-Geral da Polícia boliviana, destacou que informações indicaram que Marset realizou transações “principalmente em criptomoedas, em vez de moeda física,” e as investigações estão seguindo essa linha.
A lavagem de dinheiro com criptomoedas vem em alta, com investigadores soando o alarme sobre o aumento do uso de criptoativos para essas atividades ilícitas. A Chainalysis, uma empresa de inteligência em blockchain, afirmou que os volumes de lavagem de criptomoedas subiram para US$ 82 bilhões em 2025, com grupos chineses liderando.
Os volumes cresceram 8x desde 2020, quando a Chainalysis registrou apenas US$ 10 bilhões.