De acordo com a imprensa local, a utilização de criptomoedas para fins ilícitos disparou no Brasil, com grupos criminosos a aproveitá-las para branqueamento de capitais. O valor atingiu 71 milhões de reais (quase 14 milhões de dólares) dos 505 mil milhões de reais (100 mil milhões de dólares) que circularam no Brasil em 2025.
O Brasil, uma das maiores economias de criptomoedas do mundo, apertou a supervisão sobre o crime com criptomoedas, resultando na apreensão de grandes volumes de ativos digitais usados para fins ilícitos.
De acordo com dados recolhidos pela Valor Econômico, mais de 71 milhões de reais (quase 14 milhões de dólares) em criptomoedas foram apreendidos em ligação com crimes, ou seja, 6 vezes mais do que o valor apreendido em 2024.

Dois casos de grande visibilidade surgiram no ano passado, com a Polícia Federal a apreender bitcoins e stablecoins indexadas ao dólar em ambos os casos. O primeiro está relacionado com um hack que teve como alvo um sistema bancário e usou Pix e criptomoedas como via de saída para parte dos 180 milhões de dólares desviados.
O segundo caso visou uma organização que branqueou centenas de milhões ligados ao alegado “Bitcoin Pharaoh” brasileiro, Glaidson Acácio dos Santo, que operou um dos maiores esquemas de pirâmide com criptomoedas no Brasil através da Gas Consultoria, uma plataforma de investimento em criptomoedas.
Outros grupos criminosos também foram reportados como usando criptomoedas para branqueamento de capitais, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). O principal caso de uso da cripto para estes grupos é enviar remessas usando redes digitais alternativas e ofuscar a origem destes fundos para as autoridades brasileiras.
Ainda assim, apesar de o número ter aumentado de forma dramática, continua relativamente baixo. 505 mil milhões de reais (100 mil milhões de dólares) em cripto circularam no Brasil durante o mesmo período, sem referência para determinar se algum destes fundos foi usado para fins criminosos.
O diretor comercial da Chainalysis, Drey Dias, afirmou que o sistema brasileiro ainda enfrenta desafios nas investigações de ativos digitais. Isto causa problemas ao sinalizar carteiras envolvidas nestes casos. “O secretismo em torno das investigações sobre o tema também dificulta este trabalho”, concluiu.
No ano passado, o Banco Central do Brasil emitiu a Resolução BCB 520, que apertou os requisitos para prestadores de serviços de ativos virtuais relativamente a medidas de prevenção da lavagem de dinheiro e do financiamento do terrorismo.
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